ContraCorrente
Autor: João Martins
ISBN: 9798276351414
Preço: 12,00 €
Nº de Páginas: 138
Formato: 150x210
Data de Lançamento: 2025-12-19
Estado: Disponível
É frequente ouvirmos, no debate público contemporâneo, sugestões, quando não exigências, para a apresentação de pedidos de desculpa por parte de países europeus relativamente ao seu passado esclavagista e colonial. Todavia, conforme a História testifica, muito antes do ciclo histórico do expansionismo ultramarino, a própria Europa foi alvo de inúmeras invasões, extermínios e processos de escravatura perpetrados por povos não-europeus. A história do continente é, assim, marcada não apenas pelo seu papel activo na conquista de outros territórios, mas mormente por uma longa sucessão de invasões e conquistas por povos estrangeiros que ameaçaram a sua integridade, a sua liberdade e a sua própria identidade civilizacional, conferindo-lhe a condição recorrente de vítima.
Estes episódios revelam uma Europa constantemente exposta a um denominador comum: a voraz ambição de forças estrangeiras, desde o período pré-clássico greco-romano, passando pela Idade Média, até à era contemporânea. As invasões e os saques, muitas vezes promovidos por povos ou Estados motivados por objectivos de dominação e exploração, trouxeram a destruição, o sofrimento e modificaram profundamente a sua trajectória histórica.
No presente, o continente enfrenta uma forma inédita de pressão. Não se trata já de exércitos armados, mas de um fluxo migratório de proporções sem precedentes. De acordo com dados das Nações Unidas, existem presentemente mais de 94 milhões de imigrantes em território europeu, oriundos sobretudo de África, América ibérica, Médio Oriente e Ásia Central. Embora apresentados como deslocamentos pacíficos, estes movimentos populacionais iniciados na segunda metade do século XX têm efeitos comparáveis aos das antigas invasões: transformam a demografia, alteram a paisagem etnocultural e colocam em risco a homogeneidade identitária e a harmonia social da Europa.
Assim, se outrora Europa foi levada à força pelo touro divino, hoje parece entregar-se, aparentemente de forma voluntária, a um processo de colonização demográfica que ameaça dissolver a sua herança histórica.